Se aproximando do espelho…
Embora sejamos únicos, o cérebro humano tem uma necessidade absurda de entendimento, categorização. Colocar qualquer informação (veja bem, qualquer informação!) em uma caixinha nos deixa mais seguros. É a velha questão de querermos confirmar nossas idéias, percepções, justificar nosso jeito como o mais adequado ou correto, etc.
A discussão sobre tipologias, perfis, estilos ou até diagnósticos psicológicos também é tão antiga quanto complexa, afinal de contas novamente temos uma “leitura” da realidade a partir dos olhos de alguém. No livro Relacionamentos: como desenvolver relações saudáveis e equilibradas que farão a diferença em sua vida pessoal e profissional, Gustavo e Madalena Boog fazem um breve e rico resgate de algumas das tipologias esboçadas ao longo dos séculos, elencando alguns expoentes como Hipócrates, Jung, Adizes, Rick Barrera, Moore e Gillette e Marston.
Como venho utilizando com bastante êxito o DISC, trago aqui especificamente breves noções sobre esta teoria, postulada pelo psicólogo Dr. William Moulton Marston. Para o autor, existem quatro tipos básicos de comportamentos previsíveis observados nas pessoas. E estes ocorrem a partir da combinação de duas dimensões: uma interna – como me vejo no mundo (sou capaz ou não de modificar o mundo) e outra externa – como vejo o mundo (amigável/favorável ou hostil/não amigável). As quatro características resultantes desta matriz são: Dominância (D), Influência (I), Estabilidade (S) e Conformidade (C) (variações nestes termos podem ocorrer em função do referencial utilizado).
Para ficar um pouco mais claro, abaixo listo o que chamamos de características consistentes de cada estilo. Certamente você, ao ler alguns termos, já vai se situar de alguma forma:

Sabemos que todas as pessoas apresentam todas estas qualidades, ou seja, podem demonstrar tais padrões, em momentos diferentes, porém em graus diversos.
Ao ter consciência de suas tendências de atuação, entretanto, você qualifica suas interações pessoais e, ainda, por conhecer e valer-se dos talentos naturais de seu estilo, contribui de modo preciso e assertivo nos mais diversos cenários. É bastante provável, portanto, que novos graus de satisfação em termos pessoais e profissionais sejam alcançados.
Na era do conhecimento, o aprendizado é algo vital e a motivação pode ser um dos seus principais ingredientes. Aprender algo que se considera importante automaticamente tem outro sabor. Trabalhar alinhado com os propósitos e de acordo com as próprias preferências catalisa talentos e, portanto, não tem contra-indicações!
Caçando tesouros? Comece usando o espelho
A verdade, conforme algumas tradições milenares, é algo permanente, ou seja, segue válida e sábia, independentemente do tempo e do espaço. Com a devida atenção, podemos reconhecer algumas leis universais, princípios que não só “funcionam” como nos guiam, independentemente de nossa vontade, reconhecimento ou aceitação. E meu intento aqui hoje é explorar uma máxima bastante antiga: o conhecimento sobre nós mesmos como um elemento-chave para o crescimento.
Buckingham e Clifton, no livro “Descubra seus pontos fortes”, batem forte numa noção “simples”, embora ainda não devidamente internalizada nas organizações: pessoas bem-sucedidas usam sua energia para aprimorar aquilo que fazem de melhor e não buscando compensar carências ou corrigindo “fraquezas”.
Mas como saber no que sou bom? Qual meu efetivo potencial? O raciocínio de Sócrates novamente pode ser muito válido aqui. A introspecção é um atributo importante neste momento. Muitas vezes sou questionada neste sentido e, invariavelmente, convido o interlocutor a se auto-observar. E, via de regra, percebo ceticismo ou desconfiança quanto a esta sugestão. Pois bem. Talvez para complicar um pouco, mas também pela complexidade humana, inúmeras são as teorias e terminologias para definir nossos estilos, que ensejam nossas preferências.
Talentos, segundo tais autores, são “seus padrões naturalmente recorrentes de pensamento, sentimento ou comportamento que podem ser usados produtivamente”. Ou seja, parecem tão naturais que muitas vezes sequer são reconhecidos. Embora ainda não seja um exercício tão corriqueiro, podemos não apenas identificar nossos talentos, mas ainda alimentá-los, expandi-los. E mais: não seria este nosso maior desafio? Nos apropriarmos continuamente de nosso potencial e manifestá-lo, trazendo vitalidade à vida?
Olhar-se no espelho, entretanto, nem sempre é agradável. Para se reconhecer por inteiro, é preciso explorar cada cantinho, da linda sala de estar ao mais empoeirado e contaminado porão. E talvez este seja um dos principais motivos a nos afastar do mergulho interior. Mas sim, é preciso saber de antemão que, independentemente de nosso estilo ou talento principal, nos desenvolvemos e somos bons em algo e não tão geniais ou adequados em outro. Afinal de contas, são hemisférios cerebrais diferentes. Sinapses específicas. Crenças e valores diversos. O perfeccionismo ou a necessidade de trazer à luz apenas o que “tem valor” embota qualquer movimento de expansão. Ao represarmos nossas imperfeições, trancafiamos também nosso brilho.
Faça um exercício de reflexão: quais minhas facilidades? Em que me destaco, naturalmente? Que adjetivos ou mesmo apelidos carrego, outros me sinalizam com frequência? Que atributos meus são demandados, seja em família, seja no trabalho? Quando me sinto vitorioso? O que mais prezo em minhas ações, no meu dia-a-dia? E depois, pergunte o que seus amigos, familiares, colegas e a todas as pessoas que lhe são caras o que elas têm a lhe dizer sobre isto.
Esta discussão continua…



