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Notas sobre o Plano da Secretaria da Economia Criativa

Publicado em 27 de setembro de 2011 por Felipe Spilari
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Acabo de fazer uma leitura dinâmica do plano contendo as diretrizes e políticas públicas para a economia criativa brasileira entre 2011 e 2014, que a Secretaria da Economia Criativa, vinculada ao Ministério da Cultura, divulgou na última sexta-feira. Caso você tenha tempo sobrando, o Plano da Secretaria da Economia Criativa está disponível para download aqui (são 148 páginas). Mas como imagino que este não seja o seu caso, destaco aqui os principais pontos do documento (o post ficou longo, mas é melhor do que ler 148 páginas, ainda que alguns dos artigos de reflexão valham a pena):

Definição da Economia Criativa

Como existem diversas definições de economia criativa, indústrias criativas, etc., o plano se preocupa em definir os conceitos na visão da Secretaria. Assim, as indústrias criativas são chamadas (corretamente, na minha visão) de setores criativos e recebem esta definição: “os setores criativos são todos aqueles cujas atividades produtivas têm como processo principal um ato criativo gerador de valor simbólico, elemento central da formação do preço, e que resulta em produção de riqueza cultural e econômica“.

Já a Economia Criativa é definida “a partir das dinâmicas culturais, sociais e econômicas construídas a partir do ciclo de criação, produção, distribuição/circulação/difusão e consumo/ fruição de bens e serviços oriundos dos setores criativos, caracterizados pela prevalência de sua dimensão simbólica.”

Escopo dos Setores Criativos

O plano se preocupa também em mapear e agrupar os setores criativos:

Setores Criativos

No que diz respeito às atividades listadas, penso que:

  • No campo do Audiovisual, do Livro, da Leitura e da Literatura, concentrar as atenções relacionadas a livro, leitura e literatura  somente a publicações e mídias impressas é uma falha, no momento em que simplesmente ignora o crescimento da importância do livro, da leitura e da literatura em ambientes digitais.
  • No campo das Criações Funcionais, existem outras atividades que poderiam também ser listadas, indo além de moda, design, arquitetura e arte digital.

Estimativas sobre a Economia Criativa

O documento traz alguns dados sobre a grandeza da economia criativa no país:

PIB Setores Criativos

Empregos Setores CriativosExportações Setores Criativos

Princípios Norteadores da Economia Criativa Brasileira

  • Sustentabilidade;
  • Diversidade Cultural;
  • Inovação;
  • Inclusão Social.

Desafios da Economia Criativa Brasileira

Os desafios da economia criativa brasileira, já citados aqui no blog anteriormente, são:

  • Levantamento de informações e dados da Economia Criativa;
  • Articulação e estímulo ao fomento de empreendimentos criativos;
  • Educação para competências criativas;
  • Infraestrutura de criação, produção, distribuição/circulação e consumo/fruição de bens e serviços criativos;
  • Criação/adequação de Marcos Legais para os setores criativos.

Objetivos da Secretaria da Economia Criativa

  • Promover a educação para as competências criativas através da qualificação de profissionais capacitados para a criação e gestão de empreendimentos criativos;
  • Gerar conhecimento e disseminar informação sobre economia criativa;
  • Conduzir e dar suporte na elaboração de políticas públicas para a potencialização e o desenvolvimento da economia criativa brasileira;
  • Articular e conduzir o processo de mapeamento da economia criativa do Brasil com o objetivo de identificar vocações e oportunidades de desenvolvimento local e regional;
  • Fomentar a identificação, a criação e o desenvolvimento de pólos criativos com o objetivo de gerar e potencializar novos empreendimentos, trabalho e renda no campo dos setores criativos;
  • Promover a articulação e o fortalecimento dos micro e pequenos empreendimentos criativos;
  • Apoiar a alavancagem da exportação de produtos criativos;
  • Apoiar a maior circulação e distribuição de bens e serviços criativos;
  • Desconcentrar regionalmente a distribuição de recursos destinados a empreendimentos criativos, promovendo um maior acesso a linhas de financiamento (incluindo o microcrédito);
  • Ampliar a produção, distribuição/difusão e consumo/fruição de produtos e serviços da economia criativa;
  • Promover o desenvolvimento intersetorial para a Economia Criativa.
  • Efetivar mecanismos direcionados à consolidação institucional de instrumentos
  • regulatórios (direitos intelectuais, direitos trabalhistas, direitos previdenciários, direitos tributários. Direitos administrativos e constitucionais).

Vetores de Atuação da Secretaria da Economia Criativa

Vetores Secretaria da Economia Criativa

Ações e Produtos da Secretaria da Economia Criativa

Ações Secretaria da Economia Criativa

Minha Avaliação

Apesar da demora em sair – quase 10 meses – e de algumas lacunas nos chamados setores criativos, o plano ficou consistente e eleva as expectativas sobre as ações da secretaria. Não que eu pense que empreendedores criativos precisem de ajuda do governo para levantar a bunda da cadeira e tornar seus projetos realidade. Muito pelo contrário! Mas, enfim, é sempre bom contar com apoio para aumentar as chances de sucesso, principalmente quando o assunto é financiamento e capacitação.

Agora, é torcer para que tudo saia efetivamente do papel, o que, tratando-se de iniciativas governamentais aqui no Brasil, sempre precisa de uma torcida muito grande. Lançar planos e inaugurar placas e maquetes é fácil. Executar, realizar e entregar é uma outra história. A primeira iniciativa, as Criativas Birô, já começa a se tornar realidade. Espero que o mesmo aconteça com o restante e que tudo isso realmente sirva para fomentar o empreendedorismo criativo. :)

Felipe Spilari

Felipe Spilari Administrador e especialista em marketing estratégico, Felipe desenvolve atividades de consultoria em planejamento estratégico, marketing e estruturação de negócios. Escreve aqui no blog sobre planejamento, marketing, inovação, empreendedorismo, economia criativa e e-business.

O que é a Economia Criativa? | Parte II

Publicado em 12 de setembro de 2011 por Felipe Spilari
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Retomo aqui meu post da semana passada sobre a Economia Criativa.

Feita a conceituação no post anterior, é importante destacar a grandeza dessa nova economia. Alguma ideia de qual o tamanho da Economia Criativa no Brasil e no mundo? Segundo Mariana Barbosa, da Folha de São Paulo, “a terceira maior indústria do mundo, atrás de petróleo e de armamentos, tem como principal insumo a criatividade.” De acordo com estimativa da FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), incluindo atividades relacionadas e de apoio, a Economia Criativa movimenta mais de R$ 380 bilhões no Brasil (16,4% do PIB) e gera 7,6 milhões de empregos formais. Considerando somente o núcleo do setor, o movimento é de 2,6% do PIB, com 638 mil trabalhadores. Recente estudo da prefeitura de São Paulo mostra que a maior cidade do país já movimenta R$ 40 bi por ano com criatividade, cerca de 10% do PIB do município, despontando como uma das principais economias criativas do mundo.

No âmbito global, segundo o Relatório de Economia Criativa 2010, elaborado pela Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), os serviços e bens da economia criativa cresceram 14% por ano de 2002 a 2008, apesar de uma queda de 12% no comércio global em 2008. A publicação conta ainda que a China é o maior exportador de bens e serviços da economia criativa, seguida pelos Estados Unidos e pela Alemanha. Já o Brasil não está nem entre os 20 primeiros desse ranking.

Provavelmente pelo crescimento da importância do setor, em 2011 (17 anos depois da primeira iniciativa australiana!) o tema enfim tornou-se pauta para o governo brasileiro com a criação da Secretaria da Economia Criativa (SEC), vinculada ao Ministério da Cultura. A secretaria ainda está dando seus primeiros passos e se prepara para apresentar um plano de ação com as diretrizes do desenvolvimento da Economia Criativa no país. Por enquanto, a SEC anunciou a criação do projeto Criativa Birô, um centro de serviços para estimular, financiar e fomentar os empreendimentos criativos que estará presente em 5 capitais, começando por Recife, e apresentou 5 desafios para os secretários de Cultura dos estados e capitais, tendo em vista a formação de massa crítica para a construção do plano:

  • Proposição de sugestões para o levantamento de informações e dados da Economia Criativa em cada estado;
  • Articulação e estímulo ao fomento de empreendimentos criativos;
  • Construção de um projeto educacional para competências criativas;
  • Produção, circulação/distribuição e consumo/fruição de bens e serviços criativos;
  • Criação/adequação de Marcos Regulatórios para os setores criativos.

Agora, é aguardar para ver no que consistirá o plano de ação da SEC. Espero que o trabalho a ser desenvolvido seja sério e que não crie vícios para o setor como a Lei Rouanet criou para a Cultura.

Em um próximo post, conto por que escolhemos trabalhar para a Economia Criativa, e como nossas metodologias se encaixam tão bem com empresas e profissionais do setor. Por enquanto, caso você queira ir além e se aprofundar a respeito da Economia Criativa, recomendo:

Reportagem do Mundo S/A, da Globo News, sobre Economia Criativa:

Jornal da Cultura explica o que é a Economia Criativa. “Criatividade é essencial, mas pode não ser o suficiente para fazer o negócio crescer. Mais do que uma boa ideia, isso depende de tino comercial, jeito para administração, o que para quem vive da criatividade pode se tornar um dilema”:

Programa Novos Tempos – Christina Carvalho Pinto fala sobre o que é a Economia Criativa e sobre as novas profissões que estão surgindo nessa nova área:

Livro The Creative Economy, de John Howkins. O lugar mais barato que achei para comprar foi na Amazon. É possível ler mais sobre as ideias do autor em http://www.creativeeconomy.com/:

<The Creative Economy

Relatório de 423 páginas em inglês da UNCTAD sobre a Economia Criativa. Traz todas as definições, modelos de classificação de atividades, estatísticas e muito mais. Faça o download da publicação:

Creative Economy Report 2010

Estudo da FIRJAN sobre A Cadeia da Indústria Criativa no Brasil, de 2008. Faça o download da publicação:

Estudo FIRJAN Economia Criativo

Felipe Spilari

Felipe Spilari Administrador e especialista em marketing estratégico, Felipe desenvolve atividades de consultoria em planejamento estratégico, marketing e estruturação de negócios. Escreve aqui no blog sobre planejamento, marketing, inovação, empreendedorismo, economia criativa e e-business.

O que é a Economia Criativa? | Parte I

Publicado em 8 de setembro de 2011 por Felipe Spilari
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Se você navegou pelo nosso site, deve ter lido que a Ativar atua junto a profissionais e empresas em processos de mudança, de aprimoramento de desempenho e de incremento de resultados, em especial profissionais e empresas da Economia Criativa (Caso você ainda não tenha feito isso, está mais do que na hora de fazer, hein?). Mas o que é afinal a tal Economia Criativa?

A expressão é baseada no termo “Indústrias Criativas”, que surgiu em 1997 após a iniciativa de Tony Blair, primeiro-ministro do Reino Unido, de convocar diversos setores da sociedade britânica para analisar tendências de mercado e vantagens competitivas e descobrir os setores mais promissores para o século 21. Como resultado dessa força tarefa, inspirada no projeto australiano Creative Nation, criado em 1994 com o objetivo de demonstrar a importância da criatividade para a economia e o desenvolvimento de um país, foram identificados 13 setores de maior potencial, chamados de indústrias criativas:

  • Propaganda;
  • Arquitetura;
  • Mercados de arte e antiguidades;
  • Artesanato;
  • Design;
  • Moda;
  • Filme e vídeo;
  • Software/jogos eletrônicos de lazer e entretenimento;
  • Música;
  • Artes performativas;
  • Editorial;
  • Serviços de computação e software;
  • Rádio e TV.

Em 2002, no primeiro Fórum Internacional das Indústrias Criativas, organizado na Rússia, o termo recebeu a seguinte definição: “Indústrias criativas são indústrias que têm sua origem na criatividade, habilidade e talento individuais e apresentam um potencial para a criação de riqueza e empregos por meio da geração e exploração de propriedade intelectual”.

Inspirado nesse contexto, o autor inglês John Howkins criou a expressão “Economia Criativa” no livro “The Creative Economy”, de 2001, analisando as atividades que resultam de indivíduos exercitando a sua imaginação e explorando seu valor econômico, utilizando criatividade, informação e conhecimento como matéria-prima. Está lá na Wikipedia: segundo Howkins, a Economia Criativa “pode ser definida como processos que envolvam criação, produção e distribuição de produtos e serviços, usando o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais recursos produtivos”.

Desde então, os termos Indústrias Criativas e Economia Criativa vem sendo amplamente estudados, discutidos e difundidos mundo afora, com diferentes definições e modelos de classificação de atividades aos quais não pretendo me ater.

Nossa visão por aqui é de que a Economia Criativa vai além das chamadas Indústrias Criativas e de que não ela deve estar restrita a uma lista rígida, devendo englobar qualquer atividade ou segmento da economia que se abasteça de ideias, imaginação, criatividade e inovação para gerar produtos e serviços e – por que não? – processos e práticas de gestão. Afinal, mesmo em trabalhos nem tão criativos é possível utilizar doses de criatividade para melhorar os resultados.

Na semana que vem, continuo este post, trazendo dados sobre a dimensão dessa nova economia e algumas indicações de conteúdo para você se aprofundar no tema.

Felipe Spilari

Felipe Spilari Administrador e especialista em marketing estratégico, Felipe desenvolve atividades de consultoria em planejamento estratégico, marketing e estruturação de negócios. Escreve aqui no blog sobre planejamento, marketing, inovação, empreendedorismo, economia criativa e e-business.

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