O que você está fazendo é importante ou urgente?

Publicado em 23 de novembro de 2011 por Mônica Latorre
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Cada vez mais o discurso oficial nas organizações privilegia a qualidade de vida, a atuação pautada em valores, a eficácia. Muitos esforços são empregados em técnicas e ferramentas utilizadas para fortalecer atributos que “produzem resultados”: planejamento, controle, gerenciamento, competências… Ao mesmo tempo, há uma provocação recorrente dos mais diversos autores que discorrem sobre tais temas: o quanto isto tudo está realmente conectado ao que nos faz sentido?

É claro que precisamos gerenciar melhor. Desenvolver competências, sem dúvida! Mas estamos buscando isto para liderarmos nossas vidas, sermos mais plenos e efetivos? Ou seria para atender expectativas e elementos “externos”, por que agora “temos que”, e mais uma vez tratamos de colocar mais um item em nossa “lista de tarefas”?

Covey (2003), em seu livro “Primeiro o Mais Importante: como ter foco em suas prioridades para obter resultados altamente eficazes”, comenta que poucas são as pessoas que percebem o quanto a urgência controla suas vidas. Mas… se esta sensação é tão estressante e desgastante, por que perdura tanto na atualidade? Dentre as possíveis causas, não seria bastante sensato considerar que o “matar um leão por dia” é tido como algo glorioso, que confere poder, status e mesmo um senso de heroísmo e valor único? Workaholics têm sensações de auto-estima, plenitude, controle, segurança e realização. O vício por adrenalina é tão difundido e valorizado hoje em dia que muitas vezes entramos nesta onda, seja para não destoar, seja porque ele, de fato, sacia e gratifica de alguma forma.

“A síndrome da urgência é um comportamento autodestrutivo que preenche temporariamente o vazio criado por necessidades não-atendidas. (…) é tão perigosa quanto qualquer outra dependência”. (Covey, 2003, p. 29)

Para se gerar mais resultado, diz o senso comum que é preciso trabalhar mais. Logo, o sucesso está mais associado ao esforço do que à eficácia, o volume se sobrepõe ao foco em resultados. E reiterando Covey, vou aqui me arriscar e destacar algo não muito agradável para se reconhecer: a “voracidade pelo fazer” como compensação à sensação de vazio.

Confundimos prazer com satisfação. Enquanto o prazer é mais efêmero, associado ao sensorial, a satisfação é de âmbito psicológico, gera contentamento, expansão. O prazer a gente compra; a satisfação se conquista; exige investimento de energia psíquica; implica desenvolver capacidades e habilidades de superação efetiva. Aqui não cabe a cultura do atalho, ou as exigências do ego, que quer tudo “agora”.

Não há qualidade de vida efetiva sem a construção da satisfação. E ela não vem em pacotes. Não se faz via downloads. Não se parcela no cartão. E depende, exclusivamente, de cada um. E aí, uma velha questão: quantos de nós tem a real disponibilidade de, inspirados nas leis da natureza, preparar o terreno, semear, cuidar das inúmeras condições ambientais para, aí então, perceber que apenas algumas sementes germinam, e destas crescem lindas árvores que nos proporcionam o desfrute de deliciosos frutos?

Talvez grande parte de nossas fortes intenções e ações estejam em prol de uma realização superficial, que, na verdade, almeja o controle, a diferenciação pela separação. A autoconfiança, portanto, pode ser algo distorcido, exagerado e defensivo. Ou genuína, quando resulta de um longo e sábio processo, em que adversidades são de fato vistas como oportunidades de crescimento aprendizado. A vida, nesta condição, torna-se repleta de satisfação e qualidade.

Esta reflexão continua…

Mônica Latorre

Mônica Latorre Psicóloga, mestre em educação de empreendedores, coach com certificação internacional pelo Integrated Coaching Institute (ICI) e facilitadora de grupos de Pathwork, Mônica desenvolve atividades de consultoria e capacitação em desenvolvimento pessoal, com ênfase em protagonismo e desenvolvimento do comportamento empreendedor. Escreve aqui no blog sobre coaching, desenvolvimento de pessoas, protagonismo, liderança, comportamento empreendedor e psicologia organizacional.

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