O que é a Economia Criativa? | Parte II
Retomo aqui meu post da semana passada sobre a Economia Criativa.
Feita a conceituação no post anterior, é importante destacar a grandeza dessa nova economia. Alguma ideia de qual o tamanho da Economia Criativa no Brasil e no mundo? Segundo Mariana Barbosa, da Folha de São Paulo, “a terceira maior indústria do mundo, atrás de petróleo e de armamentos, tem como principal insumo a criatividade.” De acordo com estimativa da FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), incluindo atividades relacionadas e de apoio, a Economia Criativa movimenta mais de R$ 380 bilhões no Brasil (16,4% do PIB) e gera 7,6 milhões de empregos formais. Considerando somente o núcleo do setor, o movimento é de 2,6% do PIB, com 638 mil trabalhadores. Recente estudo da prefeitura de São Paulo mostra que a maior cidade do país já movimenta R$ 40 bi por ano com criatividade, cerca de 10% do PIB do município, despontando como uma das principais economias criativas do mundo.
No âmbito global, segundo o Relatório de Economia Criativa 2010, elaborado pela Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), os serviços e bens da economia criativa cresceram 14% por ano de 2002 a 2008, apesar de uma queda de 12% no comércio global em 2008. A publicação conta ainda que a China é o maior exportador de bens e serviços da economia criativa, seguida pelos Estados Unidos e pela Alemanha. Já o Brasil não está nem entre os 20 primeiros desse ranking.
Provavelmente pelo crescimento da importância do setor, em 2011 (17 anos depois da primeira iniciativa australiana!) o tema enfim tornou-se pauta para o governo brasileiro com a criação da Secretaria da Economia Criativa (SEC), vinculada ao Ministério da Cultura. A secretaria ainda está dando seus primeiros passos e se prepara para apresentar um plano de ação com as diretrizes do desenvolvimento da Economia Criativa no país. Por enquanto, a SEC anunciou a criação do projeto Criativa Birô, um centro de serviços para estimular, financiar e fomentar os empreendimentos criativos que estará presente em 5 capitais, começando por Recife, e apresentou 5 desafios para os secretários de Cultura dos estados e capitais, tendo em vista a formação de massa crítica para a construção do plano:
- Proposição de sugestões para o levantamento de informações e dados da Economia Criativa em cada estado;
- Articulação e estímulo ao fomento de empreendimentos criativos;
- Construção de um projeto educacional para competências criativas;
- Produção, circulação/distribuição e consumo/fruição de bens e serviços criativos;
- Criação/adequação de Marcos Regulatórios para os setores criativos.
Agora, é aguardar para ver no que consistirá o plano de ação da SEC. Espero que o trabalho a ser desenvolvido seja sério e que não crie vícios para o setor como a Lei Rouanet criou para a Cultura.
Em um próximo post, conto por que escolhemos trabalhar para a Economia Criativa, e como nossas metodologias se encaixam tão bem com empresas e profissionais do setor. Por enquanto, caso você queira ir além e se aprofundar a respeito da Economia Criativa, recomendo:
Reportagem do Mundo S/A, da Globo News, sobre Economia Criativa:
Jornal da Cultura explica o que é a Economia Criativa. “Criatividade é essencial, mas pode não ser o suficiente para fazer o negócio crescer. Mais do que uma boa ideia, isso depende de tino comercial, jeito para administração, o que para quem vive da criatividade pode se tornar um dilema”:
Programa Novos Tempos – Christina Carvalho Pinto fala sobre o que é a Economia Criativa e sobre as novas profissões que estão surgindo nessa nova área:
Livro The Creative Economy, de John Howkins. O lugar mais barato que achei para comprar foi na Amazon. É possível ler mais sobre as ideias do autor em http://www.creativeeconomy.com/:
Relatório de 423 páginas em inglês da UNCTAD sobre a Economia Criativa. Traz todas as definições, modelos de classificação de atividades, estatísticas e muito mais. Faça o download da publicação:
Estudo da FIRJAN sobre A Cadeia da Indústria Criativa no Brasil, de 2008. Faça o download da publicação:


