Notas sobre o Plano da Secretaria da Economia Criativa
Acabo de fazer uma leitura dinâmica do plano contendo as diretrizes e políticas públicas para a economia criativa brasileira entre 2011 e 2014, que a Secretaria da Economia Criativa, vinculada ao Ministério da Cultura, divulgou na última sexta-feira. Caso você tenha tempo sobrando, o Plano da Secretaria da Economia Criativa está disponível para download aqui (são 148 páginas). Mas como imagino que este não seja o seu caso, destaco aqui os principais pontos do documento (o post ficou longo, mas é melhor do que ler 148 páginas, ainda que alguns dos artigos de reflexão valham a pena):
Definição da Economia Criativa
Como existem diversas definições de economia criativa, indústrias criativas, etc., o plano se preocupa em definir os conceitos na visão da Secretaria. Assim, as indústrias criativas são chamadas (corretamente, na minha visão) de setores criativos e recebem esta definição: “os setores criativos são todos aqueles cujas atividades produtivas têm como processo principal um ato criativo gerador de valor simbólico, elemento central da formação do preço, e que resulta em produção de riqueza cultural e econômica“.
Já a Economia Criativa é definida “a partir das dinâmicas culturais, sociais e econômicas construídas a partir do ciclo de criação, produção, distribuição/circulação/difusão e consumo/ fruição de bens e serviços oriundos dos setores criativos, caracterizados pela prevalência de sua dimensão simbólica.”
Escopo dos Setores Criativos
O plano se preocupa também em mapear e agrupar os setores criativos:
No que diz respeito às atividades listadas, penso que:
- No campo do Audiovisual, do Livro, da Leitura e da Literatura, concentrar as atenções relacionadas a livro, leitura e literatura somente a publicações e mídias impressas é uma falha, no momento em que simplesmente ignora o crescimento da importância do livro, da leitura e da literatura em ambientes digitais.
- No campo das Criações Funcionais, existem outras atividades que poderiam também ser listadas, indo além de moda, design, arquitetura e arte digital.
Estimativas sobre a Economia Criativa
O documento traz alguns dados sobre a grandeza da economia criativa no país:
Princípios Norteadores da Economia Criativa Brasileira
- Sustentabilidade;
- Diversidade Cultural;
- Inovação;
- Inclusão Social.
Desafios da Economia Criativa Brasileira
Os desafios da economia criativa brasileira, já citados aqui no blog anteriormente, são:
- Levantamento de informações e dados da Economia Criativa;
- Articulação e estímulo ao fomento de empreendimentos criativos;
- Educação para competências criativas;
- Infraestrutura de criação, produção, distribuição/circulação e consumo/fruição de bens e serviços criativos;
- Criação/adequação de Marcos Legais para os setores criativos.
Objetivos da Secretaria da Economia Criativa
- Promover a educação para as competências criativas através da qualificação de profissionais capacitados para a criação e gestão de empreendimentos criativos;
- Gerar conhecimento e disseminar informação sobre economia criativa;
- Conduzir e dar suporte na elaboração de políticas públicas para a potencialização e o desenvolvimento da economia criativa brasileira;
- Articular e conduzir o processo de mapeamento da economia criativa do Brasil com o objetivo de identificar vocações e oportunidades de desenvolvimento local e regional;
- Fomentar a identificação, a criação e o desenvolvimento de pólos criativos com o objetivo de gerar e potencializar novos empreendimentos, trabalho e renda no campo dos setores criativos;
- Promover a articulação e o fortalecimento dos micro e pequenos empreendimentos criativos;
- Apoiar a alavancagem da exportação de produtos criativos;
- Apoiar a maior circulação e distribuição de bens e serviços criativos;
- Desconcentrar regionalmente a distribuição de recursos destinados a empreendimentos criativos, promovendo um maior acesso a linhas de financiamento (incluindo o microcrédito);
- Ampliar a produção, distribuição/difusão e consumo/fruição de produtos e serviços da economia criativa;
- Promover o desenvolvimento intersetorial para a Economia Criativa.
- Efetivar mecanismos direcionados à consolidação institucional de instrumentos
- regulatórios (direitos intelectuais, direitos trabalhistas, direitos previdenciários, direitos tributários. Direitos administrativos e constitucionais).
Vetores de Atuação da Secretaria da Economia Criativa
Ações e Produtos da Secretaria da Economia Criativa
Minha Avaliação
Apesar da demora em sair – quase 10 meses – e de algumas lacunas nos chamados setores criativos, o plano ficou consistente e eleva as expectativas sobre as ações da secretaria. Não que eu pense que empreendedores criativos precisem de ajuda do governo para levantar a bunda da cadeira e tornar seus projetos realidade. Muito pelo contrário! Mas, enfim, é sempre bom contar com apoio para aumentar as chances de sucesso, principalmente quando o assunto é financiamento e capacitação.
Agora, é torcer para que tudo saia efetivamente do papel, o que, tratando-se de iniciativas governamentais aqui no Brasil, sempre precisa de uma torcida muito grande. Lançar planos e inaugurar placas e maquetes é fácil. Executar, realizar e entregar é uma outra história. A primeira iniciativa, as Criativas Birô, já começa a se tornar realidade. Espero que o mesmo aconteça com o restante e que tudo isso realmente sirva para fomentar o empreendedorismo criativo.







