Inovação Radical x Inovação Incremental x Imitação
Há uns 2 meses, participei de um workshop de gestão da inovação, promovido pela ABINEE-RS em parceria com a LUCEM. Em um dado momento, o debate se concentrou na importância para as empresas em saber se a inovação é radical ou incremental. Um dos participantes argumentou que seria de extrema importância, uma vez que essa informação seria vital para a empresa decidir se deveria ou não investir em determinado projeto de inovação; enquanto um dos palestrantes colocou que essa seria uma discussão secundária e que a avaliação de investimento não se resumiria somente a isso.
De lá pra cá, tenho me deparado com algumas notícias e artigos interessantes – dos quais destaco o “‘Imovação’ pode ser o diferencial” da HSM – que me motivaram a escrever sobre o tema.
Já é sabido que inovar não é sinônimo de reinventar a roda nem de trazer ao mundo algo totalmente novo: a inovação pode ser de diferentes tipos (de produto, de processo, de marketing, organizacional…) e graus de novidade e difusão (nova para a empresa, nova para o mercado, nova para o mundo ou radical, incremental, local, global…)*. Mas no que vale a pena arriscar? Em ser o primeiro e apresentar produtos, serviços, modelos de negócio totalmente novos e ruptores de paradigmas ou em adaptações, inspirações e – por que não? – imitações de produtos, serviços e modelos de negócios já existentes?
A história recente tem mostrado que nem sempre o pioneiro leva a melhor com o passar do tempo, apesar da máxima de Al Ries de que é mais importante ser o primeiro do que ser o melhor. Pegando os melhores exemplos da atualidade, Facebook e Google não foram os pioneiros em redes sociais e em mecanismos de busca, respectivamente. No entanto, ambos conseguiram inovar e conquistar milhões de clientes adaptando serviços que já existiam e descobrindo uma forma melhor de fazê-los. Afinal, é sempre melhor aprender com os erros dos outros.
Aqui no Brasil, o Peixe Urbano copiou o modelo de negócio de sucesso do Groupon no EUA e inaugurou no ano passado a febre das compras coletivas. Feio? Nem um pouco: conquistaram clientes e investidores, ganham muito dinheiro e, até onde sei, são líderes no mercado brasileiro, acompanhados de perto pelo gigante mundial Groupon. Aliás, essa prática de imitar negócios de sucesso de outros lugares já vem ocorrendo com frequência em todo o mundo e há até empresas especializadas em levar modelos de negócio consagrados para mercados em que eles ainda não existam, como é o caso da Rocket, chamada pela Exame de “fábrica de clones” em matéria da edição do fim de agosto.
Assim, me parece que, para empresas ou o empreendedores que não tem capital abundante para arriscar ou ideias radicalmente inovadoras, mais vale inovar adaptando aquilo que já existe. Afinal, levando ao extremo e parafraseando um dos mandamentos que o comandante Rolim criou para a TAM, “quem não tem inteligência para criar tem que ter coragem para copiar”. Esperto é aquele que sabe combinar elementos já existentes para trazer ao mundo algo melhor e ainda fazer rios de dinheiro com isso.
E você, o que acha?
*Se você quiser se aprofundar sobre terminologia, tipos e graus de novidade e difusão, recomendo a leitura do Manual de Oslo, com versão em português elaborada pela Finep.

